quinta-feira, 27 de abril de 2017

RESENHA: A RODA DO TEMPO - A GRANDE CAÇADA

Título: A Grande Caçada
Série: A Roda do Tempo #2
Páginas: 704
Autor (a): Robert Jordan
Editora: Intrínseca (2014)
Compre na Amazon

Sinopse: No segundo volume da série A Roda do Tempo, o protagonista Rand al’Thor e seus companheiros, Mat e Perrin, partem ao resgate da Trombeta de Valere. Segundo lendas, o artefato tem o poder de reviver heróis temporariamente, e eles podem ser de grande ajuda no combate às forças do Tenebroso. No entanto, há algo que Rand teme ainda mais do que a antítese do Criador: ele sabe que está condenado à loucura e à morte e se pergunta se conseguirá ajudar seus amigos antes que isso aconteça ou se será ele próprio o responsável por destruí-los. Ao mesmo tempo, Egwene e Nynaeve treinam para fazer parte da ordem de mulheres que podem manipular o poder que gira a Roda do Tempo, conhecidas como Aes Sedai.

*Pode conter spoilers do primeiro livro da série

 Após enfrentarem os Abandonados para proteger o Olho do Mundo e recuperarem a Trombreta de Valere e os demais itens que lá encontraram, Rand e os outros voltam à Fal Dara para descansar do que pode ter sido a aventura de suas vidas e pensar no futuro.

Egwene e Nynaeve já decidiram que irão à Tar Valon para iniciar o treinamento para se tornarem Aes Sedai, enquanto Mat terá o mesmo destino para poder se livrar da adaga amaldiçoada que roubou de Shadar Logoth. Perrin pensa em voltar para Campo de Emond e continuar com a sua antiga vida, mas a cada dia que passa seus laços com os lobos estão se estreitando mais e mais. Rand teme machucar todos a sua volta com a loucura que o destino reserva aos homens que podem canalizar o Poder Único e planeja uma fuga imediata.

"Por duas e mais duas vezes ele será marcado, 
duas vezes para viver e duas vezes para morrer. 
Uma vez a garça, para traçar seu caminho. Duas vezes a garça, para proclamá-lo verdadeiro. 
Uma vez o Dragão, atrás da memória perdida.
Duas vezes o Dragão, cobrar o preço a ser pago."


Os planos de Rand vão pelos ares com a chegada de uma comitiva diretamente de Tar Valon com Aes Sedai de todos os Ajah e com direito a presença de Siuan Sanche, o Trono de Amyrlin, aquela que fala por todas as Aes Sedai e Ajahs. Rand, assustado com os rumores do que as Aes Sedai fazem com um homem capaz de canalizar o Poder Único, só consegue pensar que todas aquelas mulheres estão lá para amansá-lo, ou seja, cortar a sua ligação com a Fonte Verdadeira, o que pode levá-lo à morte. Mas, diferente do que Rand pensa, o Trono de Amyrlin está lá para um propósito completamente diferente, pois, juntamente de Moiraine Sedai ela acredita que Rand seja o verdadeiro Dragão Renascido, aquele que cumprirá todas as profecias e trará novamente o equilíbrio para o mundo.

Tudo vai bem, até que Fal Dara é atacada por Trollocs e um Myrdrall. Homens de Fal Dara tomam suas posições para defender a fortaleza, os garotos de Dois Rios fazem o que podem para ajudar, mas mesmo assim, em meio ao caos, a Tombreta de Valere é roubada, juntamente da adaga amaldiçoada de Mat, o que é um risco para a vida do garoto, já que ele não pode se separar da adaga sem a ajuda das Aes Sedai. Um antigo conhecido que era mantido nos calabouços de Fal Dara retornará.


Uma equipe formada por shienaranos, acompanhada por Rand, Perrin, um Mat debilitado, Loial e comandada por Lorde Ingtar sai de Fal Dara em busca dos artefatos roubados ao mesmo tempo em que Egwene e Nynaeve seguem com o plano principal e estão a caminho de Tar Valon.

Os caminhos dos habitantes de Campo de Emond se separam mais uma vez. Tudo está no Padrão. Há de ser o que a Roda tecer.

"Em breve chegará o dia em que todos serão libertos.
Até você e eu.
Em breve chegará o dia em que todos morrerão.
Certamente você, mas não eu."

***
Se em "O Olho do Mundo" Robert Jordan já havia me conquistado, "A Grande Caçada" foi o livro que selou o meu relacionamento com A Roda do Tempo.

Se você é uma daquelas pessoas que achou a narrativa do Jordan muito parada em O Olho do Mundo e por isso ainda não leu A Grande Caçada, eu te digo: leia. Leia sem medo. Aqui vemos como a narrativa de um escritor pode melhor absurdamente de um livro para outro. Ele continua utilizando a modalidade de terceira pessoa com diferentes pontos de vista entre os personagens principais e, às vezes, a história é narrada sob o ponto de vista de algum personagem secundário.

Na questão de desenvolvimento de personagens, esse é foi um livro que focou mais no desenvolvimento de três personagens principais, que conhecemos diretamente no primeiro livro, e mais alguns personagens que aparecem posteriormente na história. Rand é o que tem o maior desenvolvimento. O garoto precisa carregar o fardo de ser o possível Dragão Renascido e ao mesmo tempo lidar com a loucura que toma os homens que canalizam o Poder Único. Ele deixa de ser um pouco aquele garoto questionador e assustado que vimos n'O Olho do Mundo e assume uma postura mais madura. Além desses conflitos pessoais que assolam Rand, uma personagem chamada Selene aparecerá e deixará as coisas ainda mais confusas na vida do garoto. As garotas tem um desenvolvimento bem notável em Tar Valon, principalmente Nynaeve, que aprende aos poucos a "escutar mais e falar menos". Perrin e Mat não têm uma participação direta nesse livro.


Jordan expandiu bem o mundo que criou nos mostrando novas cidades e novos povos, descrevendo-os com maestria. Dentre esses novos povos estão os Seanchan, que são de suma importância na trama. Eles são da linhagem de Artur Asa-de-gavião e saíram além do oceano para recuperar o continente de mesmo nome que seu povo. Além disso, os Seanchan possuem Grolms, criaturas de com a estatura semelhante a de um urso adulto, pele que se assemelha a pele de sapo e três olhos. Outra coisa bem curiosa sobre os Seanchan é o tratamento com as Aes Sedai, que eu não vou contar, pois essa pode ser uma das maiores surpresas. 



Um pouco do sistema de magia também foi expandido nesse livro, principalmente no que se refere aos "Caminhos". Jordan nos mostra uma forma semelhante, que são as Pedras Portais, artefatos antiquíssimos, quase esquecidos, que eram utilizados para jornadas de um lugar a outro em um curto espaço de tempo, assim como os Caminhos, mas, ao invés de utilizar a folha de Avendesora como chave do portal, para viajar nas Pedras Portais você precisa canalizar o Poder Único.

Um dos pontos que eu acho que vale a pena citar é o Daes Dae'mar. Daes Dae'mar pode ser traduzido como o Grande Jogo, ou Jogo das Casas, que se assemelha muito com o que George R.R. Martin fez em sua série literária.

Para finalizar, peço que se prepare para um dos finais mais bem criados que eu já tive o prazer de ler. O capítulo "O Túmulo Não é Limite Para o Meu Chamado" é uma das coisas mais lindas já escritas.

"E homens clamaram ao Criador, dizendo: Ó, Luz dos Céus, Luz do Mundo, deixe que o prometido nasça da montanha, conforme as Profecias, como aconteceu em Eras passadas e acontecerá nas Eras vindouras. Deixe que o Príncipe da Manhã cante para a terra sobre as coisas verdes que crescerão e os vales que gerarão cordeiros. Deixe que a mão do Lorde da Manhã nos abrigue do Escuro, e que a montante da justiça nos defenda. Deixe que o Dragão cavalgue novamente nos ventos do tempo."

Avaliação:


Espero que tenham gostado da resenha, e logo mais eu vou apresentar um novo projeto de leitura pra vocês.

quarta-feira, 15 de março de 2017

RESENHA HQ #1: GAVIÃO ARQUEIRO - MINHA VIDA COMO UMA ARMA

Título: Gavião Arqueiro - Minha Vida Como Uma  Arma
Roteiro: Matt Fraction
Ilustrações: David Aja/Javier Pulido
Editora: Panini Comics (2016)
Resenhado por: Juliano Costeira
Compre um exemplar AQUI

SINOPSE:
Matt Fraction, David Aja e uma equipe de artistas incrivelmente talentosos acertam na mosca ao reinventar a lenda do membro mais carismático dos Vingadores, apresentando uma visão totalmente única de Clint Barton quando não está agindo ao lado dos Heróis Mais Poderosos da Terra. Lutando em nome da justiça, dos cãezinhos indefesos e dos churrascos na laje - ao lado de sua indefectível parceira Kate Bishop -, o Gavião Arqueiro vai flechar seu coração enquanto defende seus vizinhos dos perigos de Nova York e da terrível gangue do agasalho de ginástica!

***

Esqueça tudo que você sabe sobre super-heróis ou, pelo menos, sobre o Gavião Arqueiro. Esqueça histórias complexas com tramas megalomaníacas e perigos intergaláticos. Esqueça personagens super-poderosos cheios de músculos e que sempre fazem a coisa certa. Clint Barton não é nada disso, e esse é o grande trunfo de Gavião Arqueiro, Minha Vida Como Uma Arma. 


Escrita pelo premiadíssimo roteirista Matt Fraction e desenhada pelos talentosos David Aja e Javier Pulido, esta HQ nos traz uma nova roupagem ao personagem que muito foi subestimado pelos fãs - e por si próprio. Ele é apenas um cara que usa um arco e flecha ao lado de seres ultra-poderosos, e isso não é um empecilho para Barton ser um herói e salvar o dia. Enquanto personagens como Thor salvam universos e reinos mágicos, Clint salva o bairro, os vizinhos e até um cachorro. Não se preocupe, ele ainda salva o universo e mete flechas em alienígenas, mas aqui você não o verá fazendo isso. Essa é a base das histórias que Fraction conta com o personagem. Tramas simples e mundanas, que mesmo assim colocam o Gavião em diversas e inusitadas situações

Um dos pontos muito interessantes deste quadrinho é a personalidade de Clint. Ele não é um cara super correto e que sempre sabe o melhor a se fazer. Clint é uma pessoa falha e que comete erros, assim como todos nós. É um personagem que as pessoas podem muito bem se relacionar e se sentir representadas. Seu humor é sarcástico e faz você rir das situações mais idiotas vividas por ele.

Outro ponto que agrada é a participação de Kate Bishop, a Gaviã Arqueira. Não espere por uma versão feminina genérica do Gavião. Kate é tão badass quanto seu mentor, se é que pode ser chamado de mentor, afinal, em algumas situações, Kate se mostra ser muito mais sagaz e ágil que Clint em vários momentos. Tendo sua personalidade tão bem trabalhada como a de Clint, a Gaviã conquista o leitor logo de cara como o personagem principal.


Deixando um pouquinho de lado a trama, outro ponto que deve ser analisado é a arte de Gavião Arqueiro. O volume é ilustrado metade por David Aja e metade por Javier Pulido, porém é a arte de Aja que se sobressai. Com quadros ágeis e rápidos, Aja transforma o quadrinho em um filme de ação. Seus traços são grossos, simples e com uma pegada indie, mas são sua soluções visuais que tornam a leitura mais fluida e agradável. É impressionante como Aja consegue dar movimento ao que vemos no papel. Algo difícil de se ver nas artes de outros quadrinistas. Já sobre a arte de Javier Pulido não podemos dizer o mesmo. É uma arte bonita mas não como a anterior. Infelizmente, essa é uma das coisas que mais acontece no mundo dos quadrinhos: quase nunca uma história é ilustrada pelo mesmo artista. Porém, isso não prejudica em nada a história e a experiência tida na leitura de Gavião Arqueiro.


Para dar uma dimensão melhor do significado desta HQ, é possível fazer um comparativo bem simples. Gavião Arqueiro está para outros quadrinhos, assim como as séries da Marvel (produzidas pela Netlix) estão para os filmes da Marvel Studios. São histórias mais realistas e pé no chão, mas que te divertem pra caramba. Porém, ainda é cedo para se ter completa noção da grandiosidade deste quadrinho com apenas uma edição. Completa em quatro volumes, apenas com os outros três se poderá ver a real importância desta HQ. Prova disso é uma história presente no volume dois que ganhou o prêmio de melhor edição única no Eisner Awards, o Oscar dos quadrinhos.

Gavião Arqueiro - Minha Vida Como Uma Arma é isso: uma história em quadrinhos simples e divertida, assim como o personagem título. É para quem está cansado de tramas cansativas, megalomaníacas, ou apenas quer conhecer o personagem. Vá em frente, leia este quadrinho e se prepare para a chuva de flechas que sai pelas páginas.


Resenha de Juliano Costeira

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

RESENHA: SALEM

Título: 'Salem
Páginas: 464
Autor (a): Stephen King
Editora: Suma de Letras (2013)

Sinopse: Ambientado na cidadezinha de Jerusalem's Lot, na Nova Inglaterra, o romance conta a história de três forasteiros. Ben Mears, um escritor que viveu alguns anos na cidade quando criança e está disposto a acertar contas com o próprio passado; Mark Petrie, um menino obcecado por monstros e filmes de terror; e o Senhor Barlow, uma figura misteriosa que decide abrir uma loja na cidade. Após a chegada desses forasteiros, fatos inexplicáveis vêm perturbar a rotina provinciana de Jerusalem's Lot: uma criança é encontrada morta; habitantes começam a desaparecer sem deixar vestígios ou sucumbem a uma estranha doença. A morte passa a envolver a pequena cidade com seu toque maléfico e Ben e Mark são obrigados a escolher o único caminho que resta aos sobreviventes da praga: fugir. Mas isso não será tão simples, os destinos de Ben, Mark, Barlow e Jerusalem's Lot estão agora para sempre interligados. E é chegada a hora do inevitável acerto de contas.

Depois de alguns meses sem postar nada no blog, cá estou eu, de volta à ativa. Os últimos meses de 2016 foram um pouco difíceis para mim, pois eu me enrolei com faculdade e serviço. Mas não deixei as leituras de lado, pois elas eram (são) um modo de fugir do mundo real e embarcar em muitas aventuras. Decidi começar o ano com uma resenha de ninguém menos que o mestre do horror: Stephen King.

***
Um homem e um menino que viajaram por várias cidades dos Estados Unidos sempre se interessaram por notícias referentes à Jerusalem's Lot, uma pacata cidadezinha rural que ganhou fama ao ficar deserta da noite para o dia. Esse interesse não seria nada de mais se não fosse pelo fato de que ambos viveram experiências aterrorizantes em Salem. Com o passar do tempo, atormentados por pesadelos e temores, os dois decidem voltar à cidade. A partir daí temos um flashback, e nossa história começa.



Para Ben Mears, um escritor de fama mediana, retornar à Jerusalem's Lot, cidade na qual morou durante quatro anos quando ainda era uma criança, é um grande desafio. Os traumas de seu passado envolvendo a grande e temerosa Mansão Marsten ainda não foram superados. Com esse retorno, Ben deseja exorcizar os demônios que atormentam sua mente e superar de uma vez por todas o velho traum a e o recente falecimento de sua esposa. Sua ideia principal era alugar a maldita casa e de lá escrever seu novo livro.

Ao chegar à cidade, Ben conhece a jovem Susan Norton, uma bela moça que reside em 'Salem, e também descobre que a Mansão Marsten foi vendida ao Sr. Straker, um forasteiro que abrirá uma loja de antiguidades na cidade. A partir daí, tudo em Jerusalem's Lot começa a mudar.

***
Mark Petrie, um garoto fascinado por filmes de terror, é novato na cidade. Mark possui uma extensa coleção de figuras de ação dos personagens de seus filmes favoritos e convida Danny Glick, seu único colega, para visitá-lo. Danny aceita o convite, mas é encarregado de levar e cuidar de seu irmão mais novo. Danny nunca mais voltou para casa.

Desse ponto em diante, as coisas em 'Salem começam a piorar com mais desaparecimentos, uma doença que se espalha por toda a cidade e muitos falecimentos de causas desconhecidas.

Tentado a investigar o que está acontecendo em 'Salem, Ben Mears e seus companheiros terão de juntar toda a coragem para vencer a incredulidade e combater o mau que assola Jerusalem's Lot.



Mais um livraço de Stephen King pra contagem. 'Salem é o segundo livro do autor, escrito em 1975 e, como a grande maioria de seus livros, foi traduzido para diversos idiomas e ganhou uma adaptação para os cinemas.

'Salem é um daqueles livros que faz com que o leitor perca a noção do tempo enquanto lê. A estória se desenvolve com grandiosidade. King faz com que o leitor se prenda à estória desde a primeira parte do livro, que é mais lenta devido ao grande número de personagens a serem apresentados e as descrições da ambientação.

Stephen King utilizou uma narrativa em terceira pessoa onde acompanhamos todo o desenrolar da trama por diversos pontos de vista, não somente de personagens principais, mas também de secundários.

Os personagens são muito bem construídos, no melhor estilo Stephen King: cheios de defeitos, vícios e humanidade; alguns possuem um desenvolvimento notável, que é o caso do Padre Callahan, Ben Mears e Mark Petrie. Em 'Salem, Stephen King abusou um pouco no número de personagens. Basicamente todos os moradores da cidade são apresentados e tem seus momentos durante a narrativa. Pode ser que isso não agrade alguns leitores, pois são muitos nomes para se lembrar (às vezes eu precisava voltar algumas páginas para lembrar quem era quem).

O livro possui algumas pequenas críticas ao ser humano e a religiosidade, coisa que eu achei genial.

"É tarde demais para esse melodrama – disse Barlow em meio à escuridão. Sua voz era quase pesarosa. – Não é necessário. Você esqueceu a doutrina da sua Igreja, não é? A cruz... o pão e o vinho... o confessionário... São apenas símbolos. Sem fé, a cruz é apenas madeira; o pão é apenas trigo assado; o vinho, uvas amargas. Se tivesse abdicado da cruz, teria me derrotado mais uma noite. De certo modo, era o que eu esperava. Faz tempo que não encontro um adversário de valor. O menino dá dez de você, falso padre.”

Alguns fãs dizem que esse livro é obrigatório para quem deseja se aventurar na série A Torre Negra, pois possui muitas referências.


Bom, depois de muito tempo sem postar nada deixo vocês com essa resenha bem ruinzinha de um livro maravilhoso. Espero que gostem!

terça-feira, 11 de outubro de 2016

RESENHA: O CONQUISTADOR - O LOBO DAS PLANÍCIES

Título: O Lobo das Planícies
Série: O Conquistador

Páginas: 420
Autor (a): Conn Iggulden
Editora: Record (2008)

Sinopse: Temujin tinha apenas 11 anos quando seu pai foi morto. Filho do líder da tribo, o menino foi então abandonado, e começou a vagar pelas planícies. Em pouco tempo, Temujin dominava o arco-e-flecha, demonstrando grande habilidade com armas. Reunindo outros excluídos como ele, logo dominaria diversas tribos. A grande jornada apenas começava, um novo imperador estava nascendo: Gêngis Khan. 'O Lobo das Planícies' é o primeiro volume da série 'O Conquistador', que recria a saga do imperador mongol Gêngis Khan e de seus descendentes.

Já li algumas obras não romantizadas que retratam a vida do maior conquistador que já existiu, Gêngis Khan. Além das leituras, também assisti alguns filmes e, recentemente, tive contato com a série Marco Polo, onde vemos os filhos dos filhos de Gêngis Khan colhendo o que o pai plantou: um vasto império. Muitas pessoas já me indicaram a leitura da série O Conquistador, que é muito bem avaliada no Skoob e no Goodreads, e eu decidi aproveitar a minha "vibe histórica" pra ver se era isso tudo mesmo. Se vocês me pedissem pra definir esse livro em poucas palavras, eu diria: FENOMENAL!


* * * *

Em um inverno rigoroso, típico das terras mongóis, nasceu Temujin, o segundo filho de Yesugei, o khan dos Lobos, que foi batizado com o nome de um corajoso guerreiro tártaro morto pelas mãos de seu pai. Ao retirar a criança de dentro da mãe, a parteira notou que o recém-nascido segurava um coágulo de sangue em sua mão. Um mau presságio.

"— O nome do meu filho é Temujin. Ele será ferro."

Após um tempo, Temujin é levado à tribo dos Olkhun'ut, onde conhecerá aquela que poderá ser sua futura esposa, honrando assim a tradição e preservando a linhagem de sua mãe. Além disso, o garoto passará uma temporada na tribo para aprender todos os costumes, táticas de guerra e técnicas de luta dos guerreiros Olkhun'ut. O khan dos Lobos deixa o filho na tribo e segue o caminho de volta para sua casa.

Em uma de suas paradas para descansar e se alimentar, Yesugei é atacado por alguns tártaros, que deixam o khan gravemente ferido, envenenado e debilitado, mas mesmo assim levam a pior. Reunindo todas as forças que lhe restam, Yesugei consegue montar em seu pônei e seguir viagem.

Yesugei Baghatur
Inconsciente, o khan dos Lobos consegue chegar até a planície onde sua tribo está acampada e é resgatado por Bekter, seu filho mais velho, e seus homens de confiança, que o levam até sua iurta (um tipo de cabana) para ser cuidado por sua esposa, Hoelun. Um dos homens em quem Yesugei mais deposita sua confiança suspeita que seu senhor não sobreviva ao envenenamento e começa a demonstrar um cobiça nunca antes vista para com a posição de khan.

As notícias correm rápidas. Um mensageiro dos Lobos vai até os Olkhun'ut para notificar Temujin da situação de seu pai e o garoto parte em uma viagem frenética até as planícies.

Ao chegar a sua tribo, Temujin se apressa para a iurta de seu pai, que, como se estivesse esperando o garoto, dá o último suspiro e morre. É então que o jovem guerreiro mostra um pouco de frieza e imediatamente vai notificar o seu povo da morte do khan e, assim decidir quem, entre ele e Bekter, deverá assumir o posto de khan dos Lobos.

O que os irmãos não esperavam, é que o homem em quem seu pai mais confiava, trairia a família a quem jurou lealdade e usurparia o posto de khan dos filhos de Yesugei. Os dois irmãos se revoltam e partem pra briga com o guerreiro, que os derrota facilmente e, como se a humilhação de usurpar o posto de khan não fosse o suficiente, o usurpador ordena que os Lobos levantem acampamento e se mudem, mas a família do antigo khan deve ficar à esmo, sem abrigo, comida ou proteção. Temerosas, as pessoas que compõe a tribo dos lobos não se opõe à ordem do novo khan, e fazem o que foi ordenado.

Hoelun, a viúva de Yesugei, e seus filhos: Bekter, o mais velho; Temujin, o segundo; Kachiun e Khasar, os seguintes; Temuge, o quinto e Temulun, a recém-nascida, são deixados para trás na planície, somente com as roupas do corpo, a coragem, a vontade de sobreviver e a promessa de um inverno extremamente rigoroso.

A partir daí, a família abandonada passará por uma série de desafios, intrigas e muitas outras adversidades que moldarão seus caráteres, inclusive o de Temujin, que descobrirá ali, no momento de abandono, o verdadeiro khan que existe dentro dele.

Temujin, Gêngis Khan.
 Uma obra sem igual. Uma obra que emociona até o mais insensível leitor. Para escrever O Lobo das Planícies (não só o primeiro livro, mas a série toda), Conn Iggulden morou durante um tempo na terra de Gêngis Khan para pesquisar a fundo todas as lendas, culturas, costumes e culinária, o que deu um toque ainda mais especial à obra.

O livro possui uma narrativa em terceira pessoa sob o ponto de vista de Temujin (se alternando pouquíssimas vezes durante a leitura). A escrita de Conn Iggulden é belíssima, simples e agradável, bem direta e sem muita enrolação. A obra é dividida em duas partes onde, na primeira parte, acompanhamos a infância de Temujin, desde seu nascimento até o momento em que ele atinge a maioridade (o que nós conhecemos como maioridade). Na segunda parte já podemos ver um pouco mais de ação do que na primeira, pois é onde Temujin vai começar a colocar todas as suas ideias em prática.

Iggulden focou com intensidade na parte psicológica dos personagens, principalmente na família abandonada. Podemos acompanhar o desespero de uma mãe para cuidar de seus filhos, uma união entre irmãos se fortalecendo de forma emocionante, as brigas decorrentes do stress por causa da falta de recursos e etc. Esse desenvolvimento psicológico é extremamente importante para o personagem principal, pois, assim como eu já comentei ali no enredo, foi uma forma de moldar o caráter dele para que ele se tornasse o que conhecemos hoje como o maior conquistador que já existiu na humanidade.

As batalhas descritas por Conn Iggulden podem ser comparadas com as maravilhosas batalhas descritas por Bernard Cornwell. Gêngis Khan foi um exímio estrategista, e Iggulden conseguiu captar essa qualidade do conquistador e transcrevê-la com maestria. Além disso, a narrativa nos momentos de batalha é frenética, o que transporta o leitor para o meio do cerco e faz com que ele anseie por mais.

O livro possui uma excelente pesquisa histórica, como já é de se esperar, mas Conn Iggulden tomou a liberdade de inserir algumas partes fictícias na trama que se encaixam com perfeição. O final do livro conta com uma nota histórica escrita pelo autor, onde ele nos diz o que é história de verdade e o que é ficção.

Esse livro é indicado para leitores que apreciam a história dos grandes conquistadores. Quem simpatiza com Bernard Cornwell, com certeza irá adorar a história de Gêngis Khan contada por Conn Iggulden. Não deixem pra depois, leiam já!

"A coragem não pode ser deixada como ossos num saco. Deve ser tirada para fora e mostrada à luz repetidamente, ficando mais forte a cada vez. Se você acha que ela vai se manter para quando for necessária, está errado. Se você ignorá-la, o saco estará vazio quando você mais precisar."

Avaliação:




sexta-feira, 30 de setembro de 2016

RESENHA: SPARTACUS - O GLADIADOR

Título: Spartacus - O Gladiador
Série: Spartacus

Páginas: 448
Autor (a): Ben Kane
Editora: Agir (2014)

Sinopse: Após uma década no exército romano, Spartacus finalmente retorna à sua terra natal, mas o que encontra é somente traição. Kotys, o novo rei da Trácia, é um tirano usurpador apaixonado pela sacerdotisa Ariadne, e quando percebe que ela ama Spartacus, vende o casal como escravos para os romanos. Comprado pelo dono de uma escola de gladiadores, Spartacus se vê em um mundo de sangue e areia, onde é preciso enfrentar diariamente diversas facções de treinadores, lutadores fortes e influentes, as barbaridades da arena e a iminência de uma morte terrível. É só graças à inteligência e à imensa força física que ele consegue resistir às impiedosas batalhas, sem jamais se dobrar à brutalidade da sociedade romana. Enfrentando dia após dia os perigos, a sujeira e o caos dessa majestosa república, logo percebe que precisa se unir ao poderoso gladiador Crixus em uma guerra sangrenta entre escravos e senhores se quiser conquistar a maior das glórias: a liberdade. Embora a verdadeira história de Spartacus ainda seja um mistério, o gladiador de origem trácia ficou conhecido por liderar um exército de escravos que por pouco não levou abaixo a república romana. Fonte de inspiração para muitos, ele se tornou um símbolo da luta de classes oprimidas pela conquista da liberdade.

Meu primeiro contato com Spartacus foi com o filme homônimo lançando em 1960. Dirigido por Stanley Kubrick e com Kirk Douglas no elenco, o filme foi um sucesso de público e arrecadou 60 milhões de dólares em todo o mundo. Depois disso, só fui ouvi o ouvi o nome Spartacus novamente quando um colega da faculdade me indicou uma série (também homônima) produzida pela Starz. Essa é simplesmente uma das melhores séries que eu já assisti em toda a minha vida. Depois disso eu fui atrás de livros sobre o escravo e me deparei com essa obra escrita por Ben Kane em 2014.


De volta à sua terra natal após um longo tempo ocupando as fileiras do exército romano, Spartacus descobre a traição de Kotys, o atual rei da Trácia, que assassinou o antigo regente e usurpou o trono.

Revoltados com a atual situação de sua terra, Spartacus e mais um grupo de guerreiros leais decidem agir contra o tirano. Infelizmente, um dos guerreiros não era tão leal quanto parecia, e acaba traindo o grupo contando seus planos ao usurpador, que envia soldados para capturar os rebeldes. Spartacus e seus homens são presos e condenados à morte por açoitamento. (Aqui entra uma personagem importantíssima para o livro. Prefiro não comentar sobre ela para evitar spoilers).

Durante o cumprimento da sentença, um comerciante chega à Trácia em busca de escravos que possam se tornar lutadores em Roma. Ganancioso, Kotys vê ali uma oportunidade de se livrar de Spartacus e seus homens e lucrar com isso. Os guerreiros são vendidos e iniciam uma viagem até o ludo de Batiatus, em Roma, onde receberão o treinamento necessário para se tornarem gladiadores.



Spartacus e seus companheiros não são muitos bem recepcionados em sua chegada ao ludo, e o protagonista já cria uma rixa com os gladiadores veteranos, que o provocam de todas as maneiras possíveis.

Com o passar do tempo, Spartacus passa a ser reconhecido como líder por alguns homens e começa a arquitetar um plano para fugir do ludo e libertar todos os escravos. Para isso ele precisará do apoio dos demais líderes: Oenomaus, Crixus, Castus e Gannicus. Como já é de se esperar, a missão de convencer cada um desses homens a se rebelarem contra o ludo não é nada fácil, mas com um pouco de persuasão e força bruta, tudo se resolve.

Com um bom contingente de gladiadores em seu apoio, Spartacus coloca o plano em ação, mas é traído por um dos escravos que avisa Batiatus sobre a fuga, causando assim uma matança dentro do ludo.

Spartacus consegue escapar com 71 gladiadores, e é aí que o mito ganha vida.



Logo no início já podemos notar que a obra de Ben Kane é muito diferente de tudo aquilo que vimos no filme e na série. Isso não é ruim, pois é sempre legal ver uma história que "conhecemos" sob um ponto de vista diferente.

Spartacus - O Gladiador é narrado em terceira pessoa sob pontos de vista de escravos e romanos. O ritmo do livro é bem agitado, tendo leves quedas quando a narrativa se alterna para o ponto de vista de Ariadne, mas não se preocupe, pois a qualidade se mantém.

Os personagens de Ben Kane são excelentes. Spartacus não é o mocinho do livro, tampouco o vilão. O soldado trácio é dono de uma personalidade fortíssima e uma inteligência extrema, e podemos notar um bom desenvolvimento em suas atitudes durante a leitura. Ariadne é dona de uma personalidade forte, que quebra todos os estereótipos de personagens femininas que vemos (ou víamos) por aí. É uma das personagens mais importantes de todo o livro, pois suas "orações" ditarão o andamento da campanha de Spartacus contra Roma. Carbo foi, a meu ver, a maior surpresa em todo o livro. É o personagem no qual podemos notar o maior desenvolvimento em personalidade e técnicas de batalha. Os demais personagens também foram muito bem criados e desenvolvidos, mas os que merecem destaque são: Navio, Gannicus, Castus, Crixus.

O livro é repleto de batalhas, sejam elas contra os romanos ou entre os escravos, e Ben Kane não economizou palavras na hora de descrever a violência existente em cada uma delas. Além disso, o escritor narra as estratégias com maestria, o que permite um melhor aproveitamento no momento em que o leitor está visualizando a cena.

A fé está presente em todo o livro, desde a primeira à última página. Romanos e escravos estão sempre clamando a seus deuses, pedindo bençãos e afins. É interessante ressaltar que a campanha de Spartacus com os escravos é baseada somente na vontade dos deuses.

Por fim, gostaria de indicar esse livro àqueles que apreciam a história romana e querem conhecer um pouco mais sobre o escravo que se tornou herói. Também gostaria de indicar a série Spartacus (Blood and Sand - Gods of the Arena - Vengeance - War of the Damned).


Avaliação:



quinta-feira, 8 de setembro de 2016

RESENHA: A SOMBRA DO CORVO - A CANÇÃO DO SANGUE

Título: A Canção do Sangue
Série: As Sombra do Corvo
Páginas: 656
Autor (a): Anthony Ryan
Editora: LeYa (2014)

Sinopse: Quando Vaelin Al Sorna, um garoto de apenas 10 anos de idade, é deixado por seu pai na Casa da Sexta Ordem, ele é informado que sua única família agora é a Ordem. Durante vários anos ele é treinado de forma brutal e austera, além de ser condicionado a uma vida perigosa e celibatária. Mesmo assim, Vaelin resiste e torna-se líder entre seus Irmãos. Ao longo de sua jornada, Vaelin também descobrirá de quem foi o verdadeiro desejo para que ele fosse entregue à Ordem - o objetivo sempre foi protegê-lo, mas ele não tem ideia do quê. Aos poucos, indícios de uma esquecida Sétima Ordem e questões acerca das ações do Rei Janus fazem Vaelin Al Sorna questionar sua lealdade. Destinado a um futuro grandioso, ele ainda tem que compreender em quem confiar. Neste primeiro volume da trilogia A Sombra do Corvo, Anthony Ryan estreia de maneira promissora com uma aventura repleta de ação.



A Canção do Sangue, livro que inicia a trilogia A Sombra do Corvo, foi um dos lançamentos mais aclamados de 2014. Em meio a tantos lançamentos de grandes nomes da literatura fantástica, Anthony Ryan conseguiu destaque e hoje é considerado um dos maiores escritores de fantasia da atualidade. Sem enrolações, já posso adiantá-los de que esse foi um dos melhores livros que li esse ano (ficando atrás apenas de A Roda do Tempo, série pela qual me apaixonei perdidamente).


"— A lealdade é nossa força."

Vaelin Al Sorna, também conhecido como Eruhin Makhtar, o Matador do Esperança, está sendo levado a um julgamento por combate, onde deverá responder por todos os crimes que cometeu num passado não tão distante e, provavelmente, encontrar o destino que todos almejam para o filho do ex-Senhor da Batalha: a morte.


Tendo como companheiro de viagem o escriba imperial Verniers, Vaelin decide contar um pouco de sua história, revelando segredos nunca antes imaginados e omitindo verdades que poderiam valer uma vida. E assim começa a nossa história.

*     *     *

Ainda de luto pela morte de sua mãe, Vaelin segue seu pai, o Senhor da Batalha, um homem de pouquíssimas palavras, em uma viagem até a casa da Sexta Ordem, um grupo militar religioso que treina seus guerreiros para defenderem a Fé do Reino, e é lá, na casa da Sexta Ordem, que Vaelin é abandonado por seu pai para ser treinado nas artes da guerra.


Sem entender os motivos que levaram seu pai a abandoná-lo, Vaelin é colocado em um grupo com outros garotos recém chegados que possuem a mesma idade que ele. Todos esses garotos também foram abandonados na porta da Sexta Ordem por suas famílias e guardam as mágoas. Logo de início eles são ensinados que, à partir do momento em que foram largados para a Sexta Ordem, suas antigas famílias morreram. A Sexta Ordem é a nova (e única) família de todos aqueles que nela ingressam.

Os novatos iniciam um treinamento rígido e brutal, onde, antes de aprender a arte de matar, deverão saber como se livrar da morte, e para isso eles são enviados para testes de sobrevivência na natureza.

Em um desses testes de sobrevivência, Vaelin encontra um lobo na floresta e, logo após esse encontro, sofre uma tentativa de assassinato. É aí que Vaelin sente algo estranho dentro de si mesmo, algo como uma intuição que o avisa sobre os perigos que ainda estão por vir, algo que o indica qual direção tomar quando estiver perdido, algo mágico. Esse dom, essa intuição é chamada de Canção.


Ao finalizar o teste e retornar à Ordem, Vaelin começa a se questionar  sobre os motivos que levariam alguém a querer matá-lo, quem desejaria vê-lo morto e, o mais intrigante, por que fora enviado à Ordem?

O tempo vai se passando e Vaelin e seus irmãos de Fé vão encarando os testes e enfrentando treinamentos cada vez mais pesados, onde aprendem a usar todo e qualquer tipo de arma criada pelo homem, aprendem z arte da cavalaria, estratégias de combate, combates desarmados e até como forjar sua própria arma. Cada um dos irmãos de Vaelin se destaca em uma modalidade diferente: Vaelin é o melhor espadachim; Caenis conhece a natureza como um lobo; Nortah é o melhor cavaleiro; Barkus leva vantagem em combates desarmados; Dentos é o melhor arqueiro do grupo. A amizade entre os irmãos cresce e se fortalece cada vez mais.

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Tempos depois, já confirmado como irmão da Sexta Ordem, Vaelin não vê outra opção a não ser pedir a ajuda do Rei Janus para uma causa. O Rei concede a ajuda, mas estabelece alguns critérios que são aceitos por Vaelin, que a partir desse momento está imerso em tramas políticas e religiosas. É aí que se inicia a lenda de Vaelin Al Sorna, o Beral Shak Ur, o Matador do Esperança, Irmão da Sexta Ordem e filho do ex-Senhor da Batalha do Rei.


Anthony Ryan dividiu esse primeiro livro da trilogia A Sombra do Corvo em 5 partes compostas por, no máximo, 12 capítulos. No início de cada parte temos um Relato de Verniers, que é uma parte da história contada sob o ponto de vista do escriba imperial durante a viagem até o local onde acontecerá o combate. Esses relatos são narrados em primeira pessoa. Quando partimos para a história de verdade, essa é narrada em terceira pessoa sob o ponto de vista de Vaelin Al Sorna.

Durante a primeira parte da obra, podemos notar uma leve semelhança com A Crônica do Matador do Rei, mas não pense que a infância de Vaelin se desenvolve de forma monótona como a de Kvothe. Esse pode ter sido o ponto mais forte de todo o livro: o desenvolvimento do personagem principal em sua infância. Fiquem sabendo também que, além de ter desenvolvido o personagem principal com maestria, Ryan também o fez com os secundários.

As religiões que Anthony Ryan criou são muito interessantes. De um lado temos a , que crê na vida após a morte e venera os Finados como se fossem deuses. De outro lado temos os praticantes da religião "pagã" do livro, as Trevas, onde os seus seguidores veneram deuses em cultos regulares. Junto às Trevas também podemos encaixar o sistema de magia do livro, que é bem complexo, mas muito interessante. No livro as magias são chamadas de Dons, e existem diversos tipos: cura, comunicação, persuasão e muitos outros. Vou destacar aqui o Dom da Canção. A Canção é como se fosse um instinto, ela "canta" para você se algum perigo está próximo, aumenta a sua sensibilidade com o sentimento das pessoas ao seu redor, permitindo desse modo que você saiba, por exemplo, se uma pessoa está mentindo ou não.

Tramas políticas não podem estar de fora de um livro dessa magnitude, e em A Canção do Sangue elas são bem presentes e possuem certa ligação com os muitos conflitos religiosos.

Além da excelente inserção dos personagens masculinos na obra, Anthony Ryan teve o cuidado de inserir personagens femininas com personalidades fortíssimas e um grau de importância gigantesco para a série. Como exemplos eu posso citar a manipuladora Princesa Lyrna, Sella, a garota muda e enigmática que Vaelin encontra em um dos testes de sobrevivência, e a marrenta, porém muito carismática Irmã Sherin, que possui habilidades que contrastam com as de Vaelin, sendo desse modo uma personagem para se ficar de olho.

As batalhas descritas por Anthony Ryan me lembraram um pouco o estilo de Bernard Cornwell. Ryan vai direto ao ponto, sem enrolações, descrevendo as estratégias e habilidades usadas.

Por fim, preciso dizer que uma das coisas que mais me impressionou nesse livro foi o relacionamento de Vaelin com seus irmãos de Fé. O laço de amizade fortíssimo, a lealdade conquistada, as mentiras contadas para salvar a vida de um irmão. Confesso que em algumas partes a emoção quase tomou conta de mim. O trabalho de Anthony Ryan é lindo.

Avaliação: