quarta-feira, 14 de outubro de 2015

RESENHA: O NOME DO VENTO

Título: O Nome do Vento
Série: A Crônica do Matador do Rei
Páginas: 656
Autor (a): Patrick Rothfuss
Editora: Arqueiro (2009)

Sinopse: 
Ninguém sabe ao certo quem é o herói ou o vilão desse fascinante universo criado por Patrick Rothfuss. Na realidade, essas duas figuras se concentram em Kote, um homem enigmático que se esconde sob a identidade de proprietário da hospedaria Marco do Percurso. Da infância numa trupe de artistas itinerantes, passando pelos anos vividos numa cidade hostil e pelo esforço para ingressar na escola de magia, O nome do vento acompanha a trajetória de Kote e as duas forças que movem sua vida: o desejo de aprender o mistério por trás da arte de nomear as coisas e a necessidade de reunir informações sobre o Chandriano - os lendários demônios que assassinaram sua família no passado.

Depois de suportar a insistência de muitas pessoas eu resolvi dar uma chance ao livro O Nome do Vento, do autor Patrick Rothfuss. Confesso que eu tinha meio que um pé atrás, pois li em algumas críticas que o livro não possuía muitas partes de batalhas, o que a meu ver é primordial para qualquer obra de literatura fantástica. Me arrependo (ou não) de não ter lido antes. Juntamente de O Protegido, Mistborn, O Último Reino e mais alguns, O Nome do Vento está entre meus livros favoritos.

Sem mais enrolações, vamos resenhar!

Kote é o humilde dono da Pousada Marco do Percurso, e além disso guarda um tremendo segredo.

Após aparições de criaturas estranhas nas redondezas da cidade, um cronista, recém-chegado e acolhido na pousada de Kote, suspeita que o hospedeiro seja o nome por trás de inúmeros feitos que se transformaram em histórias com o passar do tempo.

Por inúmeras razões, Kote decide revelar seu segredo para o cronista, que tem 3 dias para escrever a história que será contada pelo ruivo, com a condição de escrever todas as palavras que forem narradas sem nenhuma alteração.

"Já resgatei princesas de reis adormecidos em sepulcros. Incendiei a cidade de Trebon. Passei a noite com Feluriana e saí com minha sanidade e minha vida. Fui expulso da Universidade com menos idade do que a maioria das pessoas consegue ingressar nela. Caminhei à luz do luar por trilhas de que outros temem falar durante o dia. Conversei com deuses, amei mulheres e escrevi canções que fazem os menestréis chorar.
Vocês devem te ouvido falar de mim."

A história contada por Kote o faz relembrar de todos os acontecimentos pelo qual ele passou quando ainda era chamado de Kvothe.

Kvothe conta como sua família e a trupe com a qual viajam foram violentamente mortos pelo Chandriano, conta como foi dura a época em que perambulava com frio e fome pelos telhados da cidade de Tarbean, sem família e amigos para ajudá-lo.

Após anos vivendo como andarilho em Tarbean, Kvothe decide seguir seu sonho de ir para a Universidade, para que assim possa aprender o "nome do vento" e também descobrir mais coisas a respeito dos assassinos de seus pais.

Kvothe ingressa na Universidade de uma forma surpreendente. Já dentro da Universidade ele conhece Simmon e Wilem, dois garotos com os quais ele possui um forte laço de amizade. Kvothe também se reencontra com Denna, uma garota que ele conheceu enquanto pegava carona em uma carroça. Kvothe nutre uma paixão enorme por Denna.

Em pouco tempo na Universidade, Kvothe se mostra um aluno muito especial e um excelente músico, o que acaba despertando a inveja de Ambrose, um estudante de nível superior e muito, muito rico, que não medirá esforços para acabar com todos os planos de Kvothe.

Kvothe e o Chandriano.

Patrick Rothfuss me surpreendeu positivamente com seu estilo. Começo falando pelo modo genial como o autor construiu a narrativa, que intercala entre primeira e terceira pessoa, o que tornou a leitura muito agradável, separando bem as partes na qual a narrativa muda.

A criação dos personagens é outro ponto que merece destaque. Kvothe é um personagem ímpar, inteligentíssimo, cativante, orgulhoso e muito mais. A evolução do personagem no decorrer da trama é notável, sendo que o mesmo começa a perceber seus defeitos e qualidades. Vale destacar também a personalidade independente de Denna, que não é o estereótipo de "típica personagem feminina".

O livro tem um sistema de magia único, onde o autor usou elementos de química que precisam ser bem relacionados uns com os outros para que a magia funcione. O sistema de magia que envolve nomes também parece ser fantástico, mas isso é meio vago nesse primeiro volume, podendo ser melhor explicado no próximo livro da série.

Os 4 Cantos, mundo criado pelo autor, foi pouco explorado nesse primeiro livro, mas já conseguimos ter uma ideia de que o worldbuilding de A Crônica do Matador do Rei é excelente.

Rothfuss não se apega muito a detalhes, explicando somente o necessário para a compreensão do leitor.

A escassez de partes de ação é muito bem compensada com os esforços de Kvothe em relação aos estudos e a música.

A Editora Arqueiro está mais do que de parabéns! O trabalho feito e os cuidados tomados são excelentes, sendo que esse foi um dos poucos livros que eu li e encontrei pouquíssimos erros de revisão.

Avaliação:

            
  • O Nome do Vento - #1
  • O Temor do Sábio - #2
  • The Doors of Stone - #3 (esse é o motivo de eu não me arrepender de não ter lido antes)

10 comentários:

  1. O diferencial ao meu ver de O Nome do Vento é o altíssimo nível da escrita do autor, e a continuação O Temor do Sábio é tão bom quanto ou até melhor !

    bomlivro1811.blogspot.com.br

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    1. Gostei demais da escrita do Pat, Maurilei. O modo como ele encaixou as narrações em primeira e terceira pessoa foi magnífico!
      Agora, que venha O Temor do Sábio. Quero ver se o Elodin é tão ferrado igual dizem.

      Abraços, passe sempre por aqui!

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    2. Uma das melhores séries de fantasia de todos os tempos. Em minha opinião, fica atrás apenas de Mistborn (Brandon Sanderson) e A Roda do Tempo (Robert Jordan). E aproveito a oportunidade para falar algo que, para muitos, pode soar como heresia! Eu não gosto do George Martin, acho ele, simplesmente, normal. Falei! As Crônicas de Gelo e Fogo não chegam nem perto da qualidade de As crônicas do Matador do Rei.

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    3. Fábio, pra mim decidir minha saga favorita de fantasia entre A Crônica do Matador do Rei e Mistborn terei que concluir a leitura de ambas as séries, porque por enquanto estou em dúvida. Agora em relação As Crônicas de Gelo e Fogo por enquanto estou acompanhando somente a série e estou gostando muito. Tenho que iniciar os livros pra ver o que acho !

      bomlivro1811.blogspot.com.br

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    4. Eu li o primeiro livro d'As Crônicas de Gelo e Fogo e gostei bastante. Acho que o George é brilhante pelo simples fato de contar a história de diversos pontos de vista diferentes.
      Quanto a Mistborn e A Crônica do Matador do Rei, não tenho preferido. Os autores criaram personagens extremamente envolventes e carismáticos. O Kelsier tem mais pontos comigo do que o Kvothe, mas espero que isso mude durante as próximas leituras, mas em relação às obras, ambas são fenomenais.

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  2. Eis uma saga que quero começar quando terminar Mistborn e a primeira Saga do Assassino :D

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    1. Leia, Nuno! Irá se apaixonar pela escrita do Patrick e verá quão bom o autor é para criar personagens.

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  3. Percepções parecidas tivemos caro Phelipe!
    Gostei muito da resenha, realmente é um livro Top! Pelo menos pra mim, está no meu TOP 5 essa série, acho até que é a trilogia número 1 das favoritas haha
    Abraços!

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    1. Ah, essa foi uma das melhores leituras de 2015. Conhecer Kvothe e sua façanhas foi simplesmente demais. O cara é muito fera! Ainda em 2016 eu pretendo ler O Temor do Sábio, e espero que seja tão bom quanto o primeiro ;)

      Abraços!

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  4. Eu havia lido essa resenha há algum tempo e desde então o livro entrou para a minha lista de desejados.
    Fiquei curiosa quanto a escrita do Rothfuss, alternando primeira e terceira pessoas e todos os outros elogios que você fez.
    Resumindo: vc vai me falir, Phelipe! Preciso de outra vida para ler todos esses livros!

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