segunda-feira, 23 de maio de 2016

RESENHA: A RODA DO TEMPO - O OLHO DO MUNDO

Título: O Olho do Mundo
Série: A Roda do Tempo #1
Páginas: 800
Autor (a): Robert Jordan
Editora: Intrínseca (2013)

Sinopse: Um dia houve uma guerra tão definitiva que rompeu o mundo, e no girar da Roda do Tempo o que ficou na memória dos homens virou esteio das lendas. Como a que diz que, quando as forças tenebrosas se reerguerem, o poder de combatê-las renascerá em um único homem, o Dragão, que trará de volta a guerra e, de novo, tudo se fragmentará. Nesse cenário em que trevas e redenção são igualmente temidas, vive Rand al'Thor, um jovem de uma vila pacata na região dos Dois Rios. É a época dos festejos de final de inverno - o mais rigoroso das últimas décadas -, e mesmo na agitação que antecipa o festival, chama a atenção a chegada de uma misteriosa forasteira. Quando a vila é invadida por Trollocs, bestas que para a maioria dos homens pertenciam apenas ao universo das lendas, a mulher não só ajuda Rand e seus amigos a escapar dali, como os apresenta àquela que será a maior de todas as jornadas. A desconhecida é uma Aes Sedai, artífice do poder que move a Roda do Tempo, e acredita que Rand seja o profético Dragão Renascido, aquele que poderá salvar ou destruir o mundo.

O Olho do Mundo
é somente o primeiro livro de uma série finalizada no exterior que conta com meros 14 livros. A série, iniciada por Robert Jordan e finalizada por Brandon Sanderson, é uma das mais aclamadas ao redor do mundo, sendo comparada com outras grandes obras da fantasia. Iniciei a leitura com as expectativas baixas e me surpreendi.




Como já dito na sinopse, nós seremos apresentados a Rand al'Thor, um jovem fazendeiro residente da cidadezinha de Dois Rios. Com a aproximação do Bel Tine (festival que comemora o início da Primavera), Rand e seu pai, Tam al'Thor, se preparam para ir até Campo de Emond, onde o festival acontecerá. Em Campo de Emond conheceremos alguns dos personagens principais que compõe a trama: Matrim Cauthon, Perrin Aybara, Egwene al'Vere e Nynaeve al'Meara.


Coisas estranhas começam a acontecer na estrada para Campo de Emond, quando Rand vê um cavaleiro negro misterioso se espreitando pelas sombras. Quando Rand e Tam chegam ao vilarejo, Mat e Perrin contam a Rand que também viram o cavaleiro e tiveram a mesma sensação que ele. Como se não bastasse, os dois também contam que dois forasteiros estão no vilarejo para prestigiar o festival.



"— Um mau agouro — uma voz áspera anunciou. — Nenhum ninho de cegonha nos telhados do Bel Tine. — Cenn Buie, encarquilhado e enegrecido como uma raiz velha, marchou até Tam e Bran apoiando-se em seu cajado, quase tão alto quanto ele e igualmente encarquilhado. Tentou encarar os dois homens ao mesmo tempo com seus olhos miúdos. — Coisas piores virão, ouçam o que eu digo."

À noite, Trollocs atacam a fazenda dos al'Thor e Campo de Emond simultaneamente. Rand e Tam tentam deter os Trollocs na fazenda, enquanto, no vilarejo, Moiraine e Lan, os dois forasteiros, lutam contra as criaturas. Moiraine é uma Aes Sedai, uma mulher que pode usar o Poder Único, e Lan é seu Guardião, que carrega o juramento de protegê-la até a morte. Tam é gravemente ferido e Rand precisa levá-los para os cuidados de Nynaeve, a Sabedoria do vilarejo.




Rand chega a Campo de Emond logo ao amanhecer, exausto por ter arrastado Tam desde a fazenda. Nynaeve não pode fazer nada para curar o homem e, num ato de desepero, Rand busca ajuda com a Aes Sedai.

Moiraine usa seu conhecimento mágico e consegue ajudar o pai do garoto. Ela acaba explicando o real motivo de estar ali: Rand, Mat e Perrin precisam ser levados para Tar Valon o mais rápido possível, pois um deles pode ser o Dragão Renascido.


Após muita explicação e esclarecimentos, os três garotos partem numa jornada com a Aes Sedai e seu Guardião, tendo algumas surpresas ainda nos estábulos: Egwene, a filha do prefeito e Thom Merrilin, o menestrel, se juntam ao grupo.


É aí que a aventura começa!




Mesmo com um início clichê que nos lembra bastante O Senhor dos Anéis, Robert Jordan consegue mostrar a que veio.


Narrado sempre em terceira pessoa, o livro nos mostra, em sua maior parte, o ponto de vista de Rand al'Thor. Em um determinado momento do livro a narrativa se alterna entre alguns dos personagens principais.

Os personagens são um ponto forte do livro. Impossível não se apegar ao grupo. Os personagens que mais merecem destaque nesse primeiro livro são Lan e Perrin. Lan é um personagem extremamente enigmático, escondendo todo e qualquer vestígio de quem realmente é (o que só nos é revelado no final da segunda parte do livro). Perrin Aybara me ganhou com sua personalidade calma e calculista, sempre pensando antes de fazer qualquer coisa. Em certo momento, Perrin assume a responsabilidade de proteger outro membro do grupo, custe o que custar. Prepare-se para uma surpresa muito agradável com Perrin!


Jordan criou um sistema de magia muito interessante e curioso. O Poder Único vem da Fonte Verdadeira, a Força motriz do universo, que faz girar a Roda do Tempo. A Fonte Verdadeira é dividida em duas metades: masculina e feminina. Saidin, a fonte masculina e Saidar, a fonte feminina, trabalham uma contra a outra ao mesmo tempo em que trabalham juntas. Somente os homens podem recorrer a Saidin (que está maculada pelo Tenebroso) e apenas as mulheres recorrem a Saidar. Nem todos podem tocar a Fonte Verdadeira para canalizar o Poder Único, somente alguns, e mesmo esses precisam de um aprendizado para canalizar o poder sem causar uma destruição ou a própria morte. Algumas pessoas conseguem aprender como canalizar o Poder Único sem treinamento, mas isso é raríssimo.


O Olho do Mundo foi uma grande surpresa pra mim, pois eu já havia lido/ouvido diversas críticas sobre o livro, sendo a grande maioria delas negativas. Eu gostei muito da obra, pois há tempos não lia algo que me prendesse tanto assim, apesar de todos os clichês e semelhanças com O Senhor dos Anéis. O worldbuilding é pouco explorado nesse primeiro livro.


É um livro que eu indico sem medo para quem está procurando uma série com todos os elementos necessários de uma boa fantasia épica. Leiam, não irão se arrepender!



Avaliação:


  1. O Olho do Mundo
  2. A Grande Caçada
  3. O Dragão Renascido
  4. A Ascensão da Sombra
  5. The Fires of Heaven
  6. Lord of Chaos
  7. A Crown of Swords
  8. The Path of Daggers
  9. Winter's Heart
  10. Crossroads of Twilight
  11. Knife of Dreams
  12. The Gathering Storm
  13. Towers of Midnight
  14. A Memory of Light
  15. #EXTRA - New Spring

16 comentários:

  1. Ótima resenha, dessa série que mal conheço e já considero pacas. Mas sério que a maioria das críticas que você viu foram negativas? Vi algumas negativas, mas acho que vi mais positivas.

    E, como eu já disse, A Grande Caçada é ainda melhor!

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    1. Pior que sim, Jefferson. Eu fiquei até com um pé atrás quando iniciei a leitura, mas me surpreendi.
      Vou adiantar umas leituras aqui pra começar A Grande Caçada o mais breve possível!

      Um abração, Jeff. Obrigado pela visita!

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  2. Adorei a resenha Pompilio!! ^^
    E corroboro o que tu disse, a maioria das resenhas ou opiniões que vi foram negativas. Ainda assim, falou em fantasia clássica e eu vou correndo. Li e me apaixonei. Os clichês transbordam, mas eu acho que isso só deixa a história melhor!
    Randland é amor <3

    Beijos ;)

    perfectpick001.blogspot.com.br

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    1. Eu estava necessitado de uma obra com todos os elementos de uma fantasia clássica, Mari. Claro que os clichês e as semelhanças com Tolkien são beeeeem vísiveis, mas nada que tire a grandeza da obra. Com certeza se tornará minha série favorita!

      Um beijo, Mari. Obrigado pela visita!

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  3. Eis que A Roda do Tempo ganha mais um fã! Adorei a resenha, Phelipe. Meus parabéns. E continue conosco nessa jornada e luta contra a Sombra. Abraço.

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    1. Há de ser o que a Roda tecer, meu amigo. Que a Luz nos proteja. Muitíssimo obrigado pela indicação, Emerson!

      Um forte abraço! Obrigado pela visita!

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  4. Oi, Phelipe!
    Eu também não tinha muitas expectativas quando comecei a ler, tanto que depois desisti. Isso se deve principalmente ao fato de eu tê-lo em ebook, mas estar sem óculos complica um pouco as coisas. Também não consegui finalizar Locke por conta disso.
    Mas agora, claro, eu quero ler o quanto antes. Sua resenha maravilhosa me fez ficar curiosa com o livro. Robert Jordan é bastante aclamado - e não deve ser sem motivo.

    Beijos,
    Celly - Me Livrando.

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    1. Leia sim, Celly. Assim como eu disse, o livro fluiu com muita leveza pra mim pelo fato de que eu estava sentindo falta de uma leitura com todos os elementos fantásticos (até os clichês). E bora finalizar Locke também! Deixa essa heresia de lado HAUAUUAHUAHA

      Um abraço!

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  5. Olá Phelipe, boa resenha!

    Já tinha ouvido falar do livro, mas não me animei muito, justamente pela falta de opiniões positivas. Ah e tem também a questão da série longa...

    Mas como você disse que é bom, darei uma chance!

    Abração!

    baudoarquimago.blogspot.com

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    1. É bom sim Wagner, mas pra quem tá no clima HAUHAUAUHAHUAHA.
      Realmente, o fato de a série ser longa desanima um pouco, mas acho que vale a pena investir.

      Um abração, Wagner. Obrigado pela visita!!

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  6. Eu gosto bastante d'A Roda do Tempo, só acho que os livros poderiam ter umas 50-100 páginas a menos que seriam ainda melhores. O Jordan enrola muito às vezes! Enfim, acho que tu vai gostar dos demais, o 2º é o melhor dos três que eu já li, uma hora dessas desbravo o 4º. o/

    http://desbravandolivros.blogspot.com.br/2014/12/resenha-o-olho-do-mundo-robert-jordan.html

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    1. Mesmo tendo adorado o livro, Vagner, eu também achei que umas páginas a menos não fariam falta. Algumas passagens ali foram muito arrastadas. Gostei muito da narrativa no ponto de vista do Perrin (meu personagem favorito).
      Logo menos vou desbravar os volumes seguintes.

      * Eu costumo ler acompanhando as suas resenhas HAHAUHAHAA

      Um abração, Desbravador!

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  7. Viva Phelipe.
    A Roda do Tempo - nunca tive grande vontade em ler este livro. Aqui em Portugal nunca publicaram toda a série e julgo que não existem intenções em publicar. Também tenho lido opiniões de que se torna maçudo com o passar dos volumes.
    Mas gostei bastante da resenha, dá para saber mais do que esperar. :)
    Ótimas leituras e grande abraço.
    Nuno Ferreira

    www.noticiasdezallar.wordpress.com

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    1. Leia sim, Nuno, mas quando estiver no clima de uma fantasia bem clichê que lembre muito a narrativa de J.R.R Tolkien. Como eu disse ali em cima, apesar de todos os defeitos foi uma das melhores obras fantásticas que eu já li, com todos as características necessárias para o gênero.
      Uma pena saber que o pessoal daí não pense em continuar a publicação da série :/

      Um abração, Nuno! Muito obrigado pela visita!!

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  8. Uau! Adorei a resenha e fiquei com vontade de ler esse livro.
    A princípio não tinha me interessado, pois a capa não me chamou muito a atenção, mas a história parece ótima.
    Meu único medo é a comparação com O Senhor dos Anéis. Li o primeiro livro deste e não gostei, achei cansativo, com excesso de detalhes.
    Esse livro segue a mesma linha?

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    1. Eu acho essa capa genial! Simples e bonita.
      Vai sem medo na comparação com O Senhor dos Anéis. Não é a narrativa que te traz a lembrança da obra de Tolkien, mas sim a jornada. Vai fundo e cai de cabeça em uma série excepcional!

      Abraços!

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