quarta-feira, 15 de março de 2017

RESENHA HQ #1: GAVIÃO ARQUEIRO - MINHA VIDA COMO UMA ARMA

Título: Gavião Arqueiro - Minha Vida Como Uma  Arma
Roteiro: Matt Fraction
Ilustrações: David Aja/Javier Pulido
Editora: Panini Comics (2016)
Resenhado por: Juliano Costeira
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SINOPSE:
Matt Fraction, David Aja e uma equipe de artistas incrivelmente talentosos acertam na mosca ao reinventar a lenda do membro mais carismático dos Vingadores, apresentando uma visão totalmente única de Clint Barton quando não está agindo ao lado dos Heróis Mais Poderosos da Terra. Lutando em nome da justiça, dos cãezinhos indefesos e dos churrascos na laje - ao lado de sua indefectível parceira Kate Bishop -, o Gavião Arqueiro vai flechar seu coração enquanto defende seus vizinhos dos perigos de Nova York e da terrível gangue do agasalho de ginástica!

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Esqueça tudo que você sabe sobre super-heróis ou, pelo menos, sobre o Gavião Arqueiro. Esqueça histórias complexas com tramas megalomaníacas e perigos intergaláticos. Esqueça personagens super-poderosos cheios de músculos e que sempre fazem a coisa certa. Clint Barton não é nada disso, e esse é o grande trunfo de Gavião Arqueiro, Minha Vida Como Uma Arma. 


Escrita pelo premiadíssimo roteirista Matt Fraction e desenhada pelos talentosos David Aja e Javier Pulido, esta HQ nos traz uma nova roupagem ao personagem que muito foi subestimado pelos fãs - e por si próprio. Ele é apenas um cara que usa um arco e flecha ao lado de seres ultra-poderosos, e isso não é um empecilho para Barton ser um herói e salvar o dia. Enquanto personagens como Thor salvam universos e reinos mágicos, Clint salva o bairro, os vizinhos e até um cachorro. Não se preocupe, ele ainda salva o universo e mete flechas em alienígenas, mas aqui você não o verá fazendo isso. Essa é a base das histórias que Fraction conta com o personagem. Tramas simples e mundanas, que mesmo assim colocam o Gavião em diversas e inusitadas situações

Um dos pontos muito interessantes deste quadrinho é a personalidade de Clint. Ele não é um cara super correto e que sempre sabe o melhor a se fazer. Clint é uma pessoa falha e que comete erros, assim como todos nós. É um personagem que as pessoas podem muito bem se relacionar e se sentir representadas. Seu humor é sarcástico e faz você rir das situações mais idiotas vividas por ele.

Outro ponto que agrada é a participação de Kate Bishop, a Gaviã Arqueira. Não espere por uma versão feminina genérica do Gavião. Kate é tão badass quanto seu mentor, se é que pode ser chamado de mentor, afinal, em algumas situações, Kate se mostra ser muito mais sagaz e ágil que Clint em vários momentos. Tendo sua personalidade tão bem trabalhada como a de Clint, a Gaviã conquista o leitor logo de cara como o personagem principal.


Deixando um pouquinho de lado a trama, outro ponto que deve ser analisado é a arte de Gavião Arqueiro. O volume é ilustrado metade por David Aja e metade por Javier Pulido, porém é a arte de Aja que se sobressai. Com quadros ágeis e rápidos, Aja transforma o quadrinho em um filme de ação. Seus traços são grossos, simples e com uma pegada indie, mas são sua soluções visuais que tornam a leitura mais fluida e agradável. É impressionante como Aja consegue dar movimento ao que vemos no papel. Algo difícil de se ver nas artes de outros quadrinistas. Já sobre a arte de Javier Pulido não podemos dizer o mesmo. É uma arte bonita mas não como a anterior. Infelizmente, essa é uma das coisas que mais acontece no mundo dos quadrinhos: quase nunca uma história é ilustrada pelo mesmo artista. Porém, isso não prejudica em nada a história e a experiência tida na leitura de Gavião Arqueiro.


Para dar uma dimensão melhor do significado desta HQ, é possível fazer um comparativo bem simples. Gavião Arqueiro está para outros quadrinhos, assim como as séries da Marvel (produzidas pela Netlix) estão para os filmes da Marvel Studios. São histórias mais realistas e pé no chão, mas que te divertem pra caramba. Porém, ainda é cedo para se ter completa noção da grandiosidade deste quadrinho com apenas uma edição. Completa em quatro volumes, apenas com os outros três se poderá ver a real importância desta HQ. Prova disso é uma história presente no volume dois que ganhou o prêmio de melhor edição única no Eisner Awards, o Oscar dos quadrinhos.

Gavião Arqueiro - Minha Vida Como Uma Arma é isso: uma história em quadrinhos simples e divertida, assim como o personagem título. É para quem está cansado de tramas cansativas, megalomaníacas, ou apenas quer conhecer o personagem. Vá em frente, leia este quadrinho e se prepare para a chuva de flechas que sai pelas páginas.


Resenha de Juliano Costeira

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

RESENHA: SALEM

Título: 'Salem
Páginas: 464
Autor (a): Stephen King
Editora: Suma de Letras (2013)

Sinopse: Ambientado na cidadezinha de Jerusalem's Lot, na Nova Inglaterra, o romance conta a história de três forasteiros. Ben Mears, um escritor que viveu alguns anos na cidade quando criança e está disposto a acertar contas com o próprio passado; Mark Petrie, um menino obcecado por monstros e filmes de terror; e o Senhor Barlow, uma figura misteriosa que decide abrir uma loja na cidade. Após a chegada desses forasteiros, fatos inexplicáveis vêm perturbar a rotina provinciana de Jerusalem's Lot: uma criança é encontrada morta; habitantes começam a desaparecer sem deixar vestígios ou sucumbem a uma estranha doença. A morte passa a envolver a pequena cidade com seu toque maléfico e Ben e Mark são obrigados a escolher o único caminho que resta aos sobreviventes da praga: fugir. Mas isso não será tão simples, os destinos de Ben, Mark, Barlow e Jerusalem's Lot estão agora para sempre interligados. E é chegada a hora do inevitável acerto de contas.

Depois de alguns meses sem postar nada no blog, cá estou eu, de volta à ativa. Os últimos meses de 2016 foram um pouco difíceis para mim, pois eu me enrolei com faculdade e serviço. Mas não deixei as leituras de lado, pois elas eram (são) um modo de fugir do mundo real e embarcar em muitas aventuras. Decidi começar o ano com uma resenha de ninguém menos que o mestre do horror: Stephen King.

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Um homem e um menino que viajaram por várias cidades dos Estados Unidos sempre se interessaram por notícias referentes à Jerusalem's Lot, uma pacata cidadezinha rural que ganhou fama ao ficar deserta da noite para o dia. Esse interesse não seria nada de mais se não fosse pelo fato de que ambos viveram experiências aterrorizantes em Salem. Com o passar do tempo, atormentados por pesadelos e temores, os dois decidem voltar à cidade. A partir daí temos um flashback, e nossa história começa.



Para Ben Mears, um escritor de fama mediana, retornar à Jerusalem's Lot, cidade na qual morou durante quatro anos quando ainda era uma criança, é um grande desafio. Os traumas de seu passado envolvendo a grande e temerosa Mansão Marsten ainda não foram superados. Com esse retorno, Ben deseja exorcizar os demônios que atormentam sua mente e superar de uma vez por todas o velho traum a e o recente falecimento de sua esposa. Sua ideia principal era alugar a maldita casa e de lá escrever seu novo livro.

Ao chegar à cidade, Ben conhece a jovem Susan Norton, uma bela moça que reside em 'Salem, e também descobre que a Mansão Marsten foi vendida ao Sr. Straker, um forasteiro que abrirá uma loja de antiguidades na cidade. A partir daí, tudo em Jerusalem's Lot começa a mudar.

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Mark Petrie, um garoto fascinado por filmes de terror, é novato na cidade. Mark possui uma extensa coleção de figuras de ação dos personagens de seus filmes favoritos e convida Danny Glick, seu único colega, para visitá-lo. Danny aceita o convite, mas é encarregado de levar e cuidar de seu irmão mais novo. Danny nunca mais voltou para casa.

Desse ponto em diante, as coisas em 'Salem começam a piorar com mais desaparecimentos, uma doença que se espalha por toda a cidade e muitos falecimentos de causas desconhecidas.

Tentado a investigar o que está acontecendo em 'Salem, Ben Mears e seus companheiros terão de juntar toda a coragem para vencer a incredulidade e combater o mau que assola Jerusalem's Lot.



Mais um livraço de Stephen King pra contagem. 'Salem é o segundo livro do autor, escrito em 1975 e, como a grande maioria de seus livros, foi traduzido para diversos idiomas e ganhou uma adaptação para os cinemas.

'Salem é um daqueles livros que faz com que o leitor perca a noção do tempo enquanto lê. A estória se desenvolve com grandiosidade. King faz com que o leitor se prenda à estória desde a primeira parte do livro, que é mais lenta devido ao grande número de personagens a serem apresentados e as descrições da ambientação.

Stephen King utilizou uma narrativa em terceira pessoa onde acompanhamos todo o desenrolar da trama por diversos pontos de vista, não somente de personagens principais, mas também de secundários.

Os personagens são muito bem construídos, no melhor estilo Stephen King: cheios de defeitos, vícios e humanidade; alguns possuem um desenvolvimento notável, que é o caso do Padre Callahan, Ben Mears e Mark Petrie. Em 'Salem, Stephen King abusou um pouco no número de personagens. Basicamente todos os moradores da cidade são apresentados e tem seus momentos durante a narrativa. Pode ser que isso não agrade alguns leitores, pois são muitos nomes para se lembrar (às vezes eu precisava voltar algumas páginas para lembrar quem era quem).

O livro possui algumas pequenas críticas ao ser humano e a religiosidade, coisa que eu achei genial.

"É tarde demais para esse melodrama – disse Barlow em meio à escuridão. Sua voz era quase pesarosa. – Não é necessário. Você esqueceu a doutrina da sua Igreja, não é? A cruz... o pão e o vinho... o confessionário... São apenas símbolos. Sem fé, a cruz é apenas madeira; o pão é apenas trigo assado; o vinho, uvas amargas. Se tivesse abdicado da cruz, teria me derrotado mais uma noite. De certo modo, era o que eu esperava. Faz tempo que não encontro um adversário de valor. O menino dá dez de você, falso padre.”

Alguns fãs dizem que esse livro é obrigatório para quem deseja se aventurar na série A Torre Negra, pois possui muitas referências.


Bom, depois de muito tempo sem postar nada deixo vocês com essa resenha bem ruinzinha de um livro maravilhoso. Espero que gostem!