quinta-feira, 27 de abril de 2017

RESENHA: A RODA DO TEMPO - A GRANDE CAÇADA

Título: A Grande Caçada
Série: A Roda do Tempo #2
Páginas: 704
Autor (a): Robert Jordan
Editora: Intrínseca (2014)
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Sinopse: No segundo volume da série A Roda do Tempo, o protagonista Rand al’Thor e seus companheiros, Mat e Perrin, partem ao resgate da Trombeta de Valere. Segundo lendas, o artefato tem o poder de reviver heróis temporariamente, e eles podem ser de grande ajuda no combate às forças do Tenebroso. No entanto, há algo que Rand teme ainda mais do que a antítese do Criador: ele sabe que está condenado à loucura e à morte e se pergunta se conseguirá ajudar seus amigos antes que isso aconteça ou se será ele próprio o responsável por destruí-los. Ao mesmo tempo, Egwene e Nynaeve treinam para fazer parte da ordem de mulheres que podem manipular o poder que gira a Roda do Tempo, conhecidas como Aes Sedai.

*Pode conter spoilers do primeiro livro da série

 Após enfrentarem os Abandonados para proteger o Olho do Mundo e recuperarem a Trombreta de Valere e os demais itens que lá encontraram, Rand e os outros voltam à Fal Dara para descansar do que pode ter sido a aventura de suas vidas e pensar no futuro.

Egwene e Nynaeve já decidiram que irão à Tar Valon para iniciar o treinamento para se tornarem Aes Sedai, enquanto Mat terá o mesmo destino para poder se livrar da adaga amaldiçoada que roubou de Shadar Logoth. Perrin pensa em voltar para Campo de Emond e continuar com a sua antiga vida, mas a cada dia que passa seus laços com os lobos estão se estreitando mais e mais. Rand teme machucar todos a sua volta com a loucura que o destino reserva aos homens que podem canalizar o Poder Único e planeja uma fuga imediata.

"Por duas e mais duas vezes ele será marcado, 
duas vezes para viver e duas vezes para morrer. 
Uma vez a garça, para traçar seu caminho. Duas vezes a garça, para proclamá-lo verdadeiro. 
Uma vez o Dragão, atrás da memória perdida.
Duas vezes o Dragão, cobrar o preço a ser pago."


Os planos de Rand vão pelos ares com a chegada de uma comitiva diretamente de Tar Valon com Aes Sedai de todos os Ajah e com direito a presença de Siuan Sanche, o Trono de Amyrlin, aquela que fala por todas as Aes Sedai e Ajahs. Rand, assustado com os rumores do que as Aes Sedai fazem com um homem capaz de canalizar o Poder Único, só consegue pensar que todas aquelas mulheres estão lá para amansá-lo, ou seja, cortar a sua ligação com a Fonte Verdadeira, o que pode levá-lo à morte. Mas, diferente do que Rand pensa, o Trono de Amyrlin está lá para um propósito completamente diferente, pois, juntamente de Moiraine Sedai ela acredita que Rand seja o verdadeiro Dragão Renascido, aquele que cumprirá todas as profecias e trará novamente o equilíbrio para o mundo.

Tudo vai bem, até que Fal Dara é atacada por Trollocs e um Myrdrall. Homens de Fal Dara tomam suas posições para defender a fortaleza, os garotos de Dois Rios fazem o que podem para ajudar, mas mesmo assim, em meio ao caos, a Tombreta de Valere é roubada, juntamente da adaga amaldiçoada de Mat, o que é um risco para a vida do garoto, já que ele não pode se separar da adaga sem a ajuda das Aes Sedai. Um antigo conhecido que era mantido nos calabouços de Fal Dara retornará.


Uma equipe formada por shienaranos, acompanhada por Rand, Perrin, um Mat debilitado, Loial e comandada por Lorde Ingtar sai de Fal Dara em busca dos artefatos roubados ao mesmo tempo em que Egwene e Nynaeve seguem com o plano principal e estão a caminho de Tar Valon.

Os caminhos dos habitantes de Campo de Emond se separam mais uma vez. Tudo está no Padrão. Há de ser o que a Roda tecer.

"Em breve chegará o dia em que todos serão libertos.
Até você e eu.
Em breve chegará o dia em que todos morrerão.
Certamente você, mas não eu."

***
Se em "O Olho do Mundo" Robert Jordan já havia me conquistado, "A Grande Caçada" foi o livro que selou o meu relacionamento com A Roda do Tempo.

Se você é uma daquelas pessoas que achou a narrativa do Jordan muito parada em O Olho do Mundo e por isso ainda não leu A Grande Caçada, eu te digo: leia. Leia sem medo. Aqui vemos como a narrativa de um escritor pode melhor absurdamente de um livro para outro. Ele continua utilizando a modalidade de terceira pessoa com diferentes pontos de vista entre os personagens principais e, às vezes, a história é narrada sob o ponto de vista de algum personagem secundário.

Na questão de desenvolvimento de personagens, esse é foi um livro que focou mais no desenvolvimento de três personagens principais, que conhecemos diretamente no primeiro livro, e mais alguns personagens que aparecem posteriormente na história. Rand é o que tem o maior desenvolvimento. O garoto precisa carregar o fardo de ser o possível Dragão Renascido e ao mesmo tempo lidar com a loucura que toma os homens que canalizam o Poder Único. Ele deixa de ser um pouco aquele garoto questionador e assustado que vimos n'O Olho do Mundo e assume uma postura mais madura. Além desses conflitos pessoais que assolam Rand, uma personagem chamada Selene aparecerá e deixará as coisas ainda mais confusas na vida do garoto. As garotas tem um desenvolvimento bem notável em Tar Valon, principalmente Nynaeve, que aprende aos poucos a "escutar mais e falar menos". Perrin e Mat não têm uma participação direta nesse livro.


Jordan expandiu bem o mundo que criou nos mostrando novas cidades e novos povos, descrevendo-os com maestria. Dentre esses novos povos estão os Seanchan, que são de suma importância na trama. Eles são da linhagem de Artur Asa-de-gavião e saíram além do oceano para recuperar o continente de mesmo nome que seu povo. Além disso, os Seanchan possuem Grolms, criaturas de com a estatura semelhante a de um urso adulto, pele que se assemelha a pele de sapo e três olhos. Outra coisa bem curiosa sobre os Seanchan é o tratamento com as Aes Sedai, que eu não vou contar, pois essa pode ser uma das maiores surpresas. 



Um pouco do sistema de magia também foi expandido nesse livro, principalmente no que se refere aos "Caminhos". Jordan nos mostra uma forma semelhante, que são as Pedras Portais, artefatos antiquíssimos, quase esquecidos, que eram utilizados para jornadas de um lugar a outro em um curto espaço de tempo, assim como os Caminhos, mas, ao invés de utilizar a folha de Avendesora como chave do portal, para viajar nas Pedras Portais você precisa canalizar o Poder Único.

Um dos pontos que eu acho que vale a pena citar é o Daes Dae'mar. Daes Dae'mar pode ser traduzido como o Grande Jogo, ou Jogo das Casas, que se assemelha muito com o que George R.R. Martin fez em sua série literária.

Para finalizar, peço que se prepare para um dos finais mais bem criados que eu já tive o prazer de ler. O capítulo "O Túmulo Não é Limite Para o Meu Chamado" é uma das coisas mais lindas já escritas.

"E homens clamaram ao Criador, dizendo: Ó, Luz dos Céus, Luz do Mundo, deixe que o prometido nasça da montanha, conforme as Profecias, como aconteceu em Eras passadas e acontecerá nas Eras vindouras. Deixe que o Príncipe da Manhã cante para a terra sobre as coisas verdes que crescerão e os vales que gerarão cordeiros. Deixe que a mão do Lorde da Manhã nos abrigue do Escuro, e que a montante da justiça nos defenda. Deixe que o Dragão cavalgue novamente nos ventos do tempo."

Avaliação:


Espero que tenham gostado da resenha, e logo mais eu vou apresentar um novo projeto de leitura pra vocês.

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